23 de abril de 2016



 



"Da palavra à imagem"







20º Prémio Vergílio Ferreira

João de Melo



Abandonado o seminário, passou a viver em Lisboa. Continuou os estudos enquanto trabalhava e iniciou colaborações na imprensa escrita. É, aliás, num jornal, o Diário Popular, que publicou o seu primeiro conto, aos 18 anos.João de Melo nasceu nos Açores, em 1949. Aos 11 anos, deixou a sua ilha natal para prosseguir os estudos no continente, como aluno interno do Seminário dos Dominicanos, onde permaneceu entre 1960 e 1967.

A partir de então publicará contos, crítica literária e poemas em diversos jornais de Lisboa e dos Açores.

A incorporação no exército, com o posto de furriel e a especialidade de enfermeiro, em 1970, e a posterior ida para Angola, onde permaneceu 27 meses numa zona de guerra, marcá-lo-ão em termos pessoais e literários, sendo tema de vários livros seus, de que se destaca, «Autópsia de Um Mar de Ruínas», romance que é uma referência na literatura portuguesa. 

Já após a revolução de Abril de 1974, João de Melo licenciou-se em Filologia Românica pela Faculdade de Letras de Lisboa. No início da década de 80, tornou-se professor do ensino secundário e universitário, atividade em que repartiu o seu tempo com a escrita literária.



Em 2001 foi convidado pelo governo português para o cargo de conselheiro cultural junto da embaixada de Portugal em Madrid, cargo que desempenhou até 2010. Em 2003 criou a «Mostra Portuguesa», que se realizou sete vezes, e foi considerado o maior evento cultural português além fronteiras.João de Melo será sempre o autor de “Gente Feliz com Lágrimas”. Grande Prémio APE de 1989. Numa entrevista disse: “Ouço dizer que outros escritores se confrontaram já com o mesmo fadário: ver uma obra sua sobrepor-se a todos os livros que tenham escrito ou venham ainda a escrever. Passei a ser ‘o autor de Gente Feliz com Lágrimas’, depois de ter sido ‘o açoriano’ e ‘o escritor da guerra colonial’. Se isso significa que afinal sou o que sempre quis ser — isto é, um escritor português —, tanto melhor. Nunca pretendi ser um ‘regionalista’, mas alguém com direito à sua visão do tempo e da história, e com olhos açorianos”.



O escritor açoriano João de Melo venceu dia 20 de janeiro de 2016 o 20º Prémio Literário Vergílio Ferreira 2016, atribuído pela Universidade de Évora (UÉ).



O Prémio Vergílio Ferreira destina-se a galardoar, anualmente, o conjunto da obra literária de um autor de língua portuguesa.



A cerimónia de entrega do 20.º Prémio Vergílio Ferreira está agendada para 01 de março, data em que se assinala os 20 anos da morte do escritor, que dá o nome ao galardão.



Obras e Prémios





Centenário do nascimento de Vergílio Ferreira 

                            1916 / 2016



                                   



O escritor Vergílio Ferreira nasceu em Melo, no concelho de Gouveia, a 28 janeiro de 1916. Era filho de António Augusto Ferreira e de Josefa Ferreira e faleceu em Lisboa, a 1 de março de 1996.

A ausência dos pais, emigrados nos Estados Unidos, marcou toda a sua infância e juventude. Após uma peregrinação a Lourdes, em França, e por sugestão de familiares, frequentou o Seminário do Fundão durante seis anos. Daí saiu para a cidade da Guarda onde completou o Curso Liceal. 

Em 1935 ingressou na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde concluiu o Curso de Filologia Clássica em 1940. Dois anos depois, terminou o estágio no Liceu D. João III, nesta mesma cidade. Colocado em Faro, aí inicia uma prolongada carreira de professor, que o levará a pontos tão distantes como Bragança, Évora ou Lisboa.

Vergílio Ferreira reuniu em si diversas facetas, a de filósofo, a de escritor, a de ensaísta, a de romancista e a de professor.

Contudo, foi na escrita que mais se destacou, sendo um dos mais importantes escritores portugueses do século XX.

A sua produção literária reflete uma séria preocupação com a vida e a cultura.

Vergílio Ferreira entregava-se à escrita de corpo e alma, tinha essa obsessão. Depois escrever um livro, sentia-se renovado e dava corpo a outro.

Escrever, escrever, escrever. Toma-me um desvairamento como o de ébrio, que tem mais sede com o beber para o beber, ou do impossível erotismo que vai até ao limite de sangrar. Escrever. Sentir-me devorado por essa bulimia, a avidez sôfrega que se alimenta do impossível”. ( in ‘Pensar’, 1992)

Uma das suas obras, Manhã Submersa, foi transformada num filme português de drama e ficção (1980) por Lauro António onde o escritor faz a personagem de reitor.

Este escritor, que aos 80 anos declarou: “ vou entrar a escrever no paraíso”, faleceu subitamente na tarde do dia 1 de março, quando estava precisamente a escrever.

Entregou um livro ao editor, que foi publicado postumamente intitulado «Cartas a Sandra» (1996), onde se pode reencontrar a personagem Xana, filha do narrador do romance «Para Sempre», apresentando ao leitor cartas escritas pelo pai à sua mãe.

Após a morte do escritor Vergílio Ferreira, que se encontra sepultado em Melo, a Câmara Municipal de Gouveia e a Universidade de Évora criaram prémios literários em sua memória.

O espólio do escritor composto por prémios, livros e alguns objetos pessoais foi doado a Gouveia, concelho donde Vergílio Ferreira era natural, estando em exposição permanente na Biblioteca Municipal Vergílio Ferreira.

O seu espólio de originais manuscritos de quase todos os seus romances foi doado à Biblioteca Nacional, em Lisboa.

A 20 de janeiro de 2016 foi atribuído o prémio Vergílio Ferreira pela Universidade de Évora ao escritor açoreano João de Melo pela sua obra.



Obras de Vergílio Ferreira



 




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